terça-feira, 19 de maio de 2015

BANDIDOS ATACAM SOLDADOS DA RONDA DO QG DO COMANDO MILITAR DO SUL




ZERO HORA 19 de maio de 2015 | N° 18167. 

EXÉRCITO. Soldados são atacados por ladrões na Capital


Por volta das 21h de domingo, dois homens em uma moto abordaram dois soldados que faziam a guarda externa do Quartel General do Comando Militar do Sul, na Rua dos Andradas, centro da Capital. O objetivo era roubar as pistolas 9 mm dos militares.

A ação, no entanto, foi flagrada pela dupla de sentinelas que controlava o outro lado do prédio. Ao perceberem o reforço, os criminosos abandonaram a moto e fugiram a pé pelas ruas do Centro, perseguidos pelos soldados. 

Sem ter para onde fugir, os bandidos acabaram invadindo um ônibus da linha Praia de Belas, na Avenida Mauá. Eles renderam o motorista e o jogaram para fora do veículo. Nesse momento, os militares atiraram contra o coletivo. 

De acordo com a Polícia Federal, responsável pela perícia inicial, foram disparados 15 tiros. No momento, havia oito passageiros no veículo, além do cobrador. Nenhum deles se feriu. Os criminosos conseguiram escapar e fugiram a pé em direção à Usina do Gasômetro.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

CORTE DE GASTO OPERAÇÃO ÁGATA



ZERO HORA 06 de maio de 2015 | N° 18154


JOSÉ LUÍS COSTA


Exército cancela ação na fronteira do Estado


VERBA 40% MENOR causa suspensão no RS e em SC de ofensiva contra tráfico de drogas e armas


A crise financeira que o levou o governo federal a enxugar o orçamento da União poderá reduzir em 40% as verbas para o Exército em 2015. Uma das consequências é a suspensão de ações de fronteira no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, afetando o combate ao ingresso de drogas.

O tema preocupa o Comando Militar do Sul (CMS), que atua em uma faixa de 2,4 mil quilômetros nos limites com Argentina, Uruguai e Paraguai – principal “exportador” de maconha para o Brasil.

– Com menos recursos, treinaremos menos, estaremos menos capacitados e com menos verba para manutenção. É como uma bola de neve – lamentou o general de Exército Antônio Hamilton Martins Mourão, comandante do CMS, em encontro com jornalistas na manhã de ontem na Capital.

O CMS definiu que a nona edição da Operação Ágata será realizada apenas no Paraná. Criada em 2011, é uma das principais ofensivas das Forças Armadas em parceria de 13 ministérios com 20 organismos, como Receita Federal e Polícia Federal, para reprimir o tráfico de drogas e de armas na fronteira com 10 países.

Questionado sobre o impacto da medida no combate ao tráfico no Estado, o general disse que pretende reforçar outras ações, como a Operação Fronteira Sul, contando com efetivos menores, alocados nas cidades fronteiriças.

– Ficamos sem capacidade de cumprir uma parcela das atividades. Mas é importante destacar que a missão do Exército neste processo é secundária, esporádica. O combate às drogas é uma questão de saúde pública, de investimentos em comunidades e também está ligado aos organismos de segurança pública. O Estado tem de agir como um todo. Se não fizer isso, vamos enxugar gelo indefinidamente – enfatizou Mourão.

DESPESAS DE CUSTEIO DEVEM PERDER R$ 880 MILHÕES


O corte deve tirar dos cofres do Exército R$ 880 milhões dos R$ 2,2 bilhões até então previstos para despesas de custeio neste ano nos oito comandos regionais. O governo federal também incorporou ao orçamento cerca de R$ 190 milhões relativos a receitas próprias do Exército.

A redefinição de gastos em cada comando será decidida em uma reunião da cúpula, na próxima semana, em Brasília. Alimentação, saúde e material de consumo como fardamento são prioridades. O CMS estuda medidas como redução do horário de expediente para gastar menos com água e luz.

sábado, 24 de janeiro de 2015

SOTAQUE GAÚCHO NOS COMANDOS MILITARES




ZERO HORA  24/01/2015 | 04h01



por Guilherme Mazui


Dilma Rousseff dá sotaque gaúcho para a elite militar. Três dos quatro comandantes da área da defesa do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff nasceram no Rio Grande do Sul




A partir de fevereiro, ver os comandantes do Exército, Aeronáutica e Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA) reunidos com semblantes tensos não indicará obrigatoriamente uma crise militar. Poderá ser apenas um jogo do Internacional.

Ao anunciar a troca da cúpula das três forças após oito anos, a presidente Dilma Rousseff deu sotaque gaúcho para a elite militar. Com a permanência no EMCFA do general José Carlos De Nardi, natural de Farroupilha, dos quatro principais postos das Forças Armadas três serão ocupados por oficiais do Rio Grande do Sul.


De Nardi ganha a companhia do brigadeiro Nivaldo Rossato, nascido em São Gabriel, e do general Eduardo Villas Bôas, de Cruz Alta. Nas próximas semanas, Rossato assume o comando da Aeronáutica e Villas Bôas, do Exército. Em comum, além da Estado natal, os três têm experiência de comando, passagens por embaixadas e bom trânsito no meio político.

— E são todos colorados, temos um consulado — brinca De Nardi.

A paixão do general pelo Inter é conhecida em Brasília. Quando seu celular toca, ecoa o hino do time em versão tradicionalista. Entre medalhas e presentes, tem na parede do gabinete no sétimo andar do Ministério da Defesa o diploma de conselheiro colorado.

Nascido na Serra, De Nardi cresceu no quarto distrito de Porto Alegre. Doutor em Ciências Militares, assumiu em 2010 o recém-criado EMCFA, responsável por assessorar o ministro da Defesa e por operações integradas da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Após coordenar a estratégia de defesa na Copa, repetirá o trabalho na Olimpíada 2016, no Rio.

Atleta de natação e polo aquático na juventude, Villas Bôas (ou VB, como chamam os amigos), destacou-se na selva e nos gabinetes. Liderou a assessoria parlamentar do Exército e o Comando Militar da Amazônia. Sua escolha foi uma surpresa, já que era o mais jovem na carreira dos postulantes ao cargo. Pesou seu perfil. Villas Bôas é considerado conciliador e afável.

Rossato é um experiente piloto, com curso de comando e controle na Força Aérea francesa e mais de 3,5 mil horas de voo em diferentes aeronaves militares. Ele segue o trabalho do brigadeiro Juniti Saito no comando da Aeronáutica, de quem era o chefe do Estado-Maior.

Na Marinha, assumirá o almirante de esquadra Eduardo Barcellar Leal Ferreira, 62 anos, nascido no Rio de Janeiro.




"Ajudamos a mudar uma cultura, que aprimora as Forças Armadas"
General de Exército José Carlos De Nardi permanecerá no Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA) no segundo governo da presidente Dilma


General de Exército, José Carlos De Nardi permanece à frente do EMCFA Foto: Jorge Cardoso / Especial


Desde 2010 comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), o general de Exército José Carlos De Nardi permanecerá na função no segundo governo da presidente Dilma. No Exército desde 1961, foi adido no Chile e esteve à frente do Comando Militar do Oeste e do Comando Militar do Sul. O EMCFA coordena as atividades que envolvem as três forças e assessora diretamente o ministro da Defesa. De Nardi foi responsável pela estratégia de defesa na Copa, função que repetirá na Olimpíada 2016, no Rio de Janeiro.



O EMCFA completará cinco anos. O que foi possível fazer nesse período?

A minha principal missão chama-se interoperabilidade. Já acabou aquela ideia de que Exército é só terra, Força Aérea apenas ar e Marinha, mar. Hoje, não existe guerra ou guerrilha onde só se aplique uma força. O EMCFA ajuda a mudar uma cultura, que aprimora as Forças Armadas.

Dos comandantes, apenas o senhor segue na função no novo mandato de Dilma. Mudou o perfil de comando das forças?

O Rossato (tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Rossato) já trabalhava com o (comandante) Juniti Saito (na FAB), é uma continuidade. O (general) Enzo Peri (comandante do Exército) era mais reservado, o (general) Villas Bôas é mais aberto. E todo mundo segue o chefe do EMCFA, todos são colorados (risos). No lado militar, todos têm experiência como os antigos. Cada um vai colocar um pouco de si, mas, em linhas gerais, não vejo grandes mudanças.

A defesa funcionou bem na Copa. Muda muito para a Olimpíada 2016?

Na Copa, tínhamos 12 cidades com jogos de dois em dois dias. No Rio, são jogos na mesma cidade e sem folga, ou seja, vai exigir uma segurança dobrada. Estamos nos preparando há um ano. Inicialmente, penso em destacar só das Forças Armadas entre 20 mil e 30 mil homens.




"Desafio é ampliar ainda mais o processo da modernização da FAB"


Futuro comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) será o tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato


Tenente-brigadeiro do ar, Nivaldo Luiz Rossato será comandante da FAB Foto: Bruno Batista / Divulgação


O futuro comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) será o tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato. Entrou em 1969 na FAB. Ao longo da carreira, tornou-se líder de Grupo de Aviação de Caça. Acumula mais de 3,5 mil horas de voo, além de cursos para caça aérea, líder de esquadrilha, líder de esquadrão, piloto de transporte de tropa e inspetor de aviação civil. Foi adido na Venezuela e chefe do Estado-Maior da Aeronáutica.

Quais os desafios para a Aeronáutica nos próximos anos?

Um dos desafios é ampliar ainda mais o processo de modernização da FAB (Força Aérea Brasileira). Nos últimos anos, as conquistas foram inegáveis. O meu compromisso é manter uma Força Aérea com capacidade de pronta resposta, ágil, proativa e que seja orgulho de todos os brasileiros.

Um exemplo de modernização é a compra dos caças suecos Gripen?

O contrato prevê a aquisição de 36 caças. A aeronave foi projetada para controle do ar, defesa aérea, reconhecimento aéreo, ataques ar-solo e ar-mar. O Gripen NG permitirá à FAB enfrentar ameaças em qualquer ponto do território nacional com carga plena de armas e combustível. Proporcionará ao país exponencial poder dissuasório, garantindo a soberania do Brasil.

Os cortes no orçamento da União podem influenciar no dia a dia da FAB?

O Comando da Aeronáutica é solidário aos esforços de consolidação fiscal e diminuição do déficit público. A FAB tem buscado cumprir as diversas tarefas a ela atribuídas por meio de uma gestão eficiente e responsável.




"É preciso modernizar o Exército, o que implica incorporar tecnologia"


General Eduardo Villas Bôas será o novo comandante do Exército


O general Eduardo Villas Bôas será o novo comandante do Exército, onde ingressou em 1967 e tornou-se aspirante a oficial em 1973. Destacou-se à frente do Comando Militar da Amazônia. Articulado e conciliador, passou pela assessoria parlamentar do Exército. Também foi adido na China. Respondia pelo Comando de Operações Terrestres, função na qual participou das ações de segurança e defesa na Copa.


Quais os desafios para o Exército nos próximos anos?

Somos a sétima economia do mundo, pleiteamos assento no Conselho de Segurança da ONU, ou seja, temos de ter Forças Armadas modernas, capazes de se projetar em qualquer lugar que o Brasil tenha interesse. Para isso, é preciso modernizar o Exército, o que implica incorporar tecnologia.

Logo que saiu a sua nomeação, o senhor foi descrito como conciliador. Está correto?

Meu perfil não difere do militar moderno. A inteligência emocional é o mais importante, foge do estereótipo do militar carrancudo e autoritário. Os relacionamentos são importantes. Hoje, não se consegue comandar só com base na hierarquia e na disciplina. Tem de haver liderança.

Qual o ensinamento que o senhor tirou da Amazônia?

O Brasil precisa conhecer a Amazônia. Ela abriga as respostas dos principais problemas que atingem a humanidade: energia renovável, água, alimento e mudança climática. Há muita ideia preconcebida. Na questão indígena, os índios são reféns de organizações, e sem possibilidade de expressar suas reais necessidades. O Brasil precisa se debruçar mais sobre a Amazônia.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

ASSALTO E ROUBO DE ARMA DA SEGURANÇA DE RESIDÊNCIA PRESIDENCIAL

Do G1 DF 11/12/2014 06h24 - Atualizado em 11/12/2014 10h28

Exército apura sumiço de arma de posto da Granja do Torto. Militar diz que três homens o abordaram e levaram espingarda calibre 12. Ele voltou a pé; local é uma das residências da Presidência da República.






O Exército investiga o sumiço de uma arma de um soldado do posto de sentinela de uma das residências oficiais da Presidência da República, na Granja do Torto. Em depoimento, o militar disse à polícia que foi surpreendido por três homens encapuzados e, então, levado e abandonado em uma área do Lago Oeste na madrugada de quarta-feira (10). Ele portava uma espingarda calibre 12.



Granja do Torto, uma das residências oficiais da
Presidência da República
(Foto: Glauco Araújo/G1)

A abordagem teria ocorrido às 3h30. O homem diz que ouviu um barulho em um mato e, quando foi verificar a situação, foi rendido por um dos ladrões. Os outros dois teriam aparecido em seguida, nas costas dele.

Ainda de acordo com o depoimento, o militar disse que foi liberado às 5h perto de duas torres de telecomunicação conseguiu voltar a pé para o posto de guarda. Lá, comunicou os superiores a respeito do crime. Ele afirma que não foi agredido. O caso é investigado pela Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos.

De acordo com a Presidência da República, a Granja do Torto tem 37 hectares. O nome está relacionado à localização, na Fazenda do Riacho Torto. Quando ocupou a Presidência da República, de 1979 a 1985, o general João Figueiredo residiu na Granja, onde criava cavalos.

Durante a transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para o da presidente Dilma Rousseff, entre 2010 e 2011, o local foi utilizado como um dos gabinetes de transição, onde havia reuniões entre representantes do então governo e da atual gestão.

Em julho deste ano, o presidente de Cuba, Raúl Castro, se hospedou a pedido na Granja do Torto. A assessoria da Presidência disse na época que é "praxe” nas relações diplomáticas em todo o mundo disponibilizar hospedagem aos chefes de Estado em visita ao país.

Palácio da Alvorada

A presidente Dilma Rousseff mora, na companhia da mãe e de uma tia, na outra residência oficial que fica em Brasília, o Palácio da Alvorada. Ela ficou na Granja do Torto até assumir o cargo. O G1 procurou a Presidência da República para comentar o assunto, mas não obteve retorno até a última publicação desta reportagem.

O Palácio da Alvorada foi projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1958. O primeiro andar constitui a parte residencial do do prédio, com quatro suítes e salas íntimas. A parte térrea é usada para reuniões da Presidência. No subsolo fica toda a parte da administração do Palácio, além da sala de jogos e de um auditório para 30 pessoas.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

SE QUISER MATO UM SOLDADO POR DIA

REVISTA VEJA, Edição 2403 de 10dez2014.


“Se quiser, mato um soldado por dia”, diz traficante da Maré. Um cabo do Exército, veterano da missão no Haiti, foi morto a tiros na favela carioca

Leslie Leitão





A TROPA ACUADA - Sepultamento do cabo Mikami: os militares estão em desvantagem nos domínios do tráfico no Complexo da Maré (Rafa Von Zuben/Código 19/Estadão Conteúdo)

Faltavam cinco dias para o cabo do Exército Brasileiro Michel Augusto Mikami, 21 anos, encerrar a terceira campanha real de sua curta carreira militar. A primeira foi a missão de paz da Organização das Nações Unidas no Haiti. E depois a Copa do Mundo. O plano de Mikami era voltar para casa, em Vinhedo, cidade vizinha a Campinas, no interior de São Paulo. Como parte da Força de Pacificação formada por 3 000 militares da Marinha e do Exército, Mikami patrulhava as vielas do Complexo da Maré, aglomerado de favelas na Zona Norte do Rio de Janeiro. A missão da tropa federal é apoiar a polícia do Rio no que se chamou apressada e exageradamente de “retomada do território do tráfico”. Na tarde da sexta-feira 28, em meio a um tiroteio com os bandidos donos do “território retomado”, o cabo Mikami foi atingido por uma bala de fuzil na cabeça, que o matou instantaneamente. Desde a ação para debelar a guerrilha comunista no Araguaia, em 1972, as Forças Armadas do Brasil não tinham um soldado morto em combate em território brasileiro. O cabo, enterrado com honras militares, é, porém, apenas mais um número da macabra estatística do combate ao crime no Rio de Janeiro. O ano de 2014 ainda não acabou e o número de policiais mortos a tiros por bandidos no Rio de Janeiro chegou a 106 na semana passada. Uma cifra assustadora quando comparada à de outros países. Sim, porque não há base de comparação com cidades. Em Nova York, neste ano, nem um único policial morreu assassinado a tiros por bandidos. Zero. Em todos os Estados Unidos, com quase uma vez e meia a população brasileira, tombaram baleados por bandidos 46 policiais. Menos da metade do que os bandidos mataram em 2014 só no Rio de Janeiro. Todos os estados americanos têm legislação que pune com mais severidade o cop killer, ou assassino de policial. Em Nova York, o cop killer, não importa a circunstância do crime, é enquadrado automaticamente na categoria mais severa do código penal, o assassinato em primeiro grau. O condenado nessa categoria não tem acesso a benefícios jurídicos, como a diminuição de pena por bom comportamento.

VEJA foi ao Complexo da Maré na quarta-feira passada, cinco dias depois da morte do cabo Mikami. O “território retomado”, a “comunidade pacificada”, da propaganda oficial, vivia sua rotina esquizofrênica. As ruas eram patrulhadas por jovens armados com pistolas e radiocomunicadores. A menos de 100 metros de um posto do Exército guarnecido com seis soldados, o carro da equipe de VEJA foi parado pelos traficantes e vistoriado. O gerente do grupo concordou em falar, sem se identificar, dentro de um bar. Ali, tranquilo, deu uma espantosa explicação para a coabitação de militares com bandidos em um mesmo território: os criminosos têm a vantagem por estarem bem armados e conhecerem melhor a região. A morte do cabo Mikami foi descrita por ele como um evento normal, incapaz de perturbar a “paz” do lugar: “Se a gente quisesse, matava um soldado por dia”.



O plano de pacificação que começou em 2008 no Rio de Janeiro teve sucessos iniciais estrondosos com favelas tomadas sem o disparo de um único tiro. No ponto mais alto dos morros, os policiais de elite hasteavam bandeiras do Brasil, do Rio de Janeiro e de suas corporações. Mas, sem que se desse a efetiva ocupação do território pelo estado, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) instaladas nas favelas foram sendo isoladas até chegar à situação atual de monumentos ao fracasso de um plano que parecia vitorioso. Não é raro a guarnição de uma UPP pedir a intervenção de unidades de elite para conseguir sair de sua base. Só no conjunto de favelas do Alemão foram registradas quase duas centenas de tiroteios, escaramuças inconsequentes entre policiais e bandidos, sem que nenhum lado se declarasse vencedor.

Na famosa Favela da Rocinha, a presença constante de 700 policiais não consegue impor a ordem, tampouco impedir o tráfico de drogas e os crimes violentos associados a ele. Rajadas de fuzis automáticos cortam o céu noturno do morro que foi durante algum tempo a vitrine da política de pacificação na cidade. Entre os 267 policiais baleados neste ano, 79 foram feridos em combates em áreas de UPPs, onde oito morreram.

É melancólico constatar que sob o rótulo de “pacificação” esteja ocorrendo mesmo uma guerra. Além dos policiais mortos, perderam a vida no Rio de Janeiro até outubro 481 pessoas em circunstâncias oficialmente registradas em “autos de resistência”. Esse termo deveria descrever apenas situação em que, esgotadas todas as outras opções, a polícia recorre às armas para deter um criminoso. Infelizmente, no Rio de Janeiro, o “auto de resistência” pode ser mesmo a clássica “resistência seguida de morte”, mas serve também para encobrir ações de criminosos de farda. A boa notícia desse lado da trincheira é que as mortes de civis em operações policiais na cidade têm diminuído ano a ano: em 2007, antes do início das UPPs, foram 1 330. A má é que mais policiais estão sendo assassinados. “A verdade é que a polícia está matando menos, mas seus homens continuam morrendo como moscas”, diz Richard Ybars, antropólogo e policial civil.

A lógica mais simples levanta a seguinte questão quando alguém se detém diante da resistência do tráfico no Rio de Janeiro: se os morros não produzem drogas nem têm fábricas de armas pesadas, não seria o caso de, em vez de correr em vão atrás do varejo, impedir no atacado o fornecimento de cocaína e fuzis AK-47 aos bandidos? Raramente se consegue uma resposta satisfatória a essa pergunta. Uma fresta de luz, porém, entra no debate quando se analisam as favelas do Complexo da Maré. Com seus 130 000 habitantes, a Maré tem localização geográfica estratégica. Fica próxima do Aeroporto Internacional Tom Jobim e tem saída para o mar. A área é contígua às duas principais vias de trânsito da cidade, a Linha Vermelha e a Avenida Brasil. “A Maré é muito importante na geopolítica do tráfico, porque quase tudo passa por ela. Para os criminosos, é essencial comandá-la”, diz o sociólogo Cláudio Beato, especialista em segurança pública. Com sua óbvia importância tanto para o atacado quanto para o varejo do comércio ilegal de drogas, o Complexo da Maré deveria merecer atenção especial das autoridades. A região é policiada por soldados jovens vindos de diversas partes do Brasil e treinados — quando são — para outro tipo de batalha. “Essa guerra não é nossa”, disse um deles a VEJA. Não é mesmo. O militar das Forças Armadas é treinado para matar o inimigo. Suas armas são canhões, bazucas, carros de combate, jatos e navios de guerra. Reduzidas à função policial, as Forças Armadas correm o risco de ser desmoralizadas por ter sido colocadas em uma guerra que não podem vencer.


Brendan McDermid/Reuters
AÇÃO E REAÇÃO - Patrulhamento em Nova York, onde os assassinos de policiais recebem pena máxima

​ O despreparo é uma queixa comum também em relação às forças que operam nas 38 UPPs do Rio — um contingente incrementado ao ritmo de até 500 homens por mês, formados a toque de caixa para cumprir a meta de pôr a segurança nas favelas nas mãos de uma tropa nova, livre de vícios. “A ânsia política de colocar novas turmas nos morros prejudica a formação”, afirma Paulo Storani, ex-capitão do Bope. A tropa das UPPs é de fato majoritariamente nova, mas nem por isso vícios como corrupção, desvios e apatia foram extirpados. “A intenção era ‘uppeizar’ a PM, mas o que se vê é a ‘peemização’ das UPPs”, diz Beato.

Entre setembro e outubro, duas operações do Ministério Público contra a corrupção na polícia puseram na cadeia mais de quarenta homens. Os promotores investigam ainda uma fraude milionária em unidades de saúde da corporação que deve levar à prisão de mais oficiais. Em consequência dessas denúncias, o comando da PM foi trocado. É um movimento positivo, mas será preciso bem mais do que operações episódicas para reverter a derrocada da segurança no Rio e impedir que as UPPs sejam lembradas apenas como mais uma das tantas utopias massacradas pela realidade.





domingo, 29 de junho de 2014

EXÉRCITO AJUDA DESALOJADOS PELO RIO URUGUAI


Em São Borja, já passa de 1,2 mil o número de desabrigados

por Humberto Trezzi, ZERO HORA 29/06/2014 | 09h55


Defesa Civil, Brigada Militar e exército trabalham para convencer famílias a deixar suas casasFoto: Adriana Franciosi / Agencia RBS


Difícil mesmo é convencer quem mora à beira do rio Uruguai que chegou a hora de sair de casa. Alguns sempre esperam mais um pouco, na tentativa de evitar o inevitável: o avanço das águas São Borja adentro.

Mande fotos e vídeos pelo Whatsapp da ZH: (51) 9667-4125

Desde sexta-feira a rotina dos integrantes da Defesa Civil Municipal de São Borja, formada por funcionários da prefeitura, tem sido essa. Agora reforçada por ajuda da dois pelotões da Brigada Militar de seis equipes do 2º Regimento de Cavalaria Mecanizada do Exército. Nesse município da Fronteira Oeste já passa de 1,2 mil o número de pessoas desabrigadas (que tiveram de ir a abrigos) ou desalojadas (que foram para casa de familiares). A enchente atinge três bairros.

Os 38 militares do Exército patrulham as áreas ribeirinhas em quatro caminhões e, quando encontram famílias relutantes em sair de casa, fazem um trabalho de convencimento. Na rua Pablo Neruda, que costeia o Uruguai e por isso uma das mais inundadas,Taís Galvão de Bastos, 15 anos, e Paula Rodrigues Ribas, 14, não queriam deixar para trás seus bichinhos de estimação: o gato Tigre (de Taís) e a coelha Bioncé (de Paula). Foram junto para o abrigo improvisado numa associação comunitária do bairro Porto do Angico.

Os militares enchem os caminhões (os 5 Ton, referência à capacidade de carga) com mobília e eletrodoméstico dos flagelados. Depois recomendam chavear a casa e levam as famílias aos quatro abrigos montados pela prefeitura.

Os bombeiros do município também percorrem o caudaloso Uruguai em canoas motorizadas. Vão de ponto em ponto, em busca de possíveis ilhados - gente que não saiu a tempo e foi isolada pelo rio. Até agora não encontraram isolados, apenas pessoas que relutavam em sair, mas tinham condições e foram convencidas.

O rio Uruguai está hoje com 14 metros acima do nível e, como a chuva não para, a convicção geral é que vai superar a marca da última grande cheia, ocorrida em 1998, que foi de 16 metros acima do nível.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

EXÉRCITO OCUPA PONTOS EM PORTO ALEGRE

ZERO HORA, 11/06/2014 | 14h34

Exército ocupa 11 pontos em Porto Alegre. Presença é para desestimular qualquer tentativa de agressão


Como parte da estratégia de segurança montada pelo centro de controle de defesa de área do Exército, 11 locais em Porto Alegre estão sendo ocupados por medida preventiva.

Ao todo, conforme o chefe de comunicação do Exército para a Copa, coronel Cunha, 22 estruturas estratégicas foram levantadas. Metade será ocupada e metade, monitorada. Na Capital, já podem ser vistos soldados no bairro Moinhos, entre o Parcão e o hotel Sheraton.

— As estruturas estão sendo ocupadas preventivamente para garantir o pleno funcionamento no período da Copa — disse.

De acordo com o militar, a presença de homens armados e fardados serve para desestimular qualquer tentativa de agressão contra a área.