sexta-feira, 21 de março de 2014

CENTRO DE ADESTRAMENTO E AVALIAÇÃO SUL

DIÁRIO DE SANTA MARIA, 26/02/2014 | 10h45


Confira o que terá no Centro de Adestramento e Avaliação-Sul (CAA-Sul), que começará a ser construído em 2015 em Santa Maria. Cidade sediará estrutura para treinar militares de todo o país em diferentes situações, usando simuladores



Centro de treinamento simulado terá mais de 30 prédios e será construído no Cism, em Santa Maria, e em Rosário do SulFoto: Fernanda Ramos / especial


Juliana Gelatti


O objetivo do Centro de Adestramento e Avaliação-Sul (CAA-Sul), que começará a ser construído em 2015 em Santa Maria, é maximizar a eficiência e a eficácia dos treinamentos dos militares economizando recursos em combustíveis e munição.

Será o maior quartel de Santa Maria, com uma unidade também em Rosário do Sul, sendo uma referência em tecnologia de simulação para toda a América do Sul.

Alguns países da Europa têm centros como o que será feito aqui, mas todos eles menos completos. O que mais se assemelha ao projeto brasileiro é o que existe nos Estados Unidos. O CAA-Sul, que ficará em Santa Maria, faz parte do projeto do Sistema de Adestramento e Avaliação, que abrangerá quatro centros em todo o país.

O primeiro desses centros será o de Santa Maria, voltado para a Região Sul. Também será o maior e mais completo de todos. Deve haver outros centros com a mesma função na Amazônia, no Centro Oeste e no Sudeste, em locais ainda a serem definidos. Veja outras características sobre o novo quartel de Santa Maria:

- Investimento: R$ 500 milhões em construções e equipamentos

- Mais de 30 prédios serão construídos em Santa Maria e em Rosário do Sul

- De 800 a mil militares trabalhando no quartel

- A capacidade é para receber mais 1,5 mil militares para treinamento, simultaneamente

- Será possível fazer treinamentos com simulação de três tipos: virtual, viva e construtiva (veja mais no outro quadro)

- A construção está dividida em três fases. A primeira deve ficar pronta e começar a funcionar já em 2018. Em 2025 o centro estará finalizado

- Empresas estrangeiras devem ser contratadas para a obra e para aquisição de equipamentos, já que o país não tem essa tecnologia ainda

Conheça os três tipos de adestramento simulado que o CAA-Sul terá a capacidade para realizar:

- Simulação virtual: Ocorre com computadores e outros equipamentos, que podem estar ligados a telões com sensores. O soldado poderá treinar individualmente, por exemplo, simulando tiros em um cenário virtual. Ou então, um pelotão inteiro poderá estar na mesma sala com um só telão à frente, simulando seus movimentos e ações em uma mesma batalha

- Simulação viva: Ocorre no campo, e os soldados usam armas e blindados. Porém, em vez de munição, os equipamentos têm laser e emitem sinais de radiofrequência. Nas viaturas e nas fardas, há sensores que captam um tiro do combatente inimigo, por exemplo, sinalizando que aquele soldado está fora de combate. Todas as informações sobre a movimentação da tropa e disparos virtuais irão para uma central que acompanha tudo e pode avaliar o desempenho do treinamento

- Simulação construtiva: Ocorre principalmente com o uso de softwares em computadores, que são empregados por militares em função de comando, para treinar a tática e a estratégia do combate. Os comandantes dão ordens a tropas nesse simulador e podem avaliar o desempenho, tendo de tomar decisões para atingir o objetivo. Uma novidade em relação a outros sistemas de simulação que já existem no mundo é que o brasileiro terá integração entre a simulação construtiva e as demais. Assim, uma ordem dada pelo comandante será comunicada à tropa que está no campo, que colocará em prática e, em tempo real, o general poderá avaliar o resultado daquela decisão


DIÁRIO DE SANTA MARIA

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POLO DE TREINAMENTO


ZERO HORA 21 de março de 2014 | N° 17739


CAUE FONSECA | BRASÍLIA


Santa Maria, capital militar

Cidade receberá R$ 500 milhões em investimentos para a construção de 30 instalações até 2025



Ao longo da próxima década, a previsão é de que Santa Maria receba o equivalente a uma arena da Copa em investimentos militares. No QG do Exército, em Brasília, a subchefia de Política e Estratégia do Estado-Maior detalhou as primeiras estruturas do Centro de Adestramento e Avaliação-Sul (CAA-Sul), um complexo que, funcionando, treinará até 1,5 mil militares simultaneamente.

Um dos comandantes da subchefia responsável pelo planejamento estratégico do Exército, o coronel Carlos José Sinésio (leia entrevista ao lado) compara as 30 instalações a um “jogo de Lego”, que será montado módulo a módulo até 2025, somando mais de R$ 500 milhões.

Enquanto uma estrutura análoga será montada na Amazônia para exercícios militares na selva, o centro de Santa Maria respeita a vocação da região para o treinamento de tropas blindadas e mecanizadas. É justamente por já contar com o Centro de Instrução de Santa Maria (Cism) que a cidade foi contemplada com os novos equipamentos. Embora o valor chame a atenção, o principal foco do projeto, segundo o Exército, é economizar. Ao concentrar os trabalhos com blindados em um centro e substituir estruturas reais por componentes virtuais, poupa-se em munição, combustível, segurança e em danos ambientais.

– Continuaremos a promover exercícios com equipamentos reais, mas, dependendo do armamento, um tiro de canhão pode ter o custo de um carro popular. Isso estimula investimentos no mundo inteiro em tecnologia virtual – explica o coronel Sinésio.


ENTREVISTAS


“O cenário é de potência”

Entrevista com Carlos Sinésio, Subchefe de Política e Estratégia



No QG do Exército, em Brasília, o coronel Carlos Sinésio recebeu ZH para uma conversa sobre o papel de Santa Maria no planejamento estratégico das Forças Armadas. Leia trechos:

Zero Hora – Por que Santa Maria?

Sinésio – O CAA-Sul será vocacionado para tropas blindadas e mecanizadas, e já temos instalações funcionando em Santa Maria. Uma das principais é o Centro de Instrução de Blindados. A cidade já é uma das maiores e principais guarnições militares do país. E também pelo acesso, por rodovias e pela própria base aérea.

ZH – Existe risco de estagnar os investimentos?

Sinésio – Trabalhamos com o cenário de que o Brasil será potência, com relevância internacional. Sobre o valor divulgado (R$ 500 milhões), trata-se de uma previsão de gastos para oito a 10 anos. Temos como assegurar de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões ano.





“A mudança de gestão chegou”

Entrevista com Carlos Bolivar, Comandante Militar do Sul



Em abril, após três anos à frente do Comando Militar do Sul, o general de Exército Carlos Bolivar deixará o cargo no fim de abril. Confira trechos da entrevista ao Diário de Santa Maria.

Diário de Santa Maria – Como o senhor avalia esse período à frente do Comando Militar do Sul (CMS)?

Bolivar – Estamos passando por um processo de transformação no Exército. Isso é motivador. A gente se sente não só recompensado na parte profissional, mas também pelas muitas coisas boas que virão.

Diário – Quais são as principais mudanças que estão ocorrendo no Exército e no perfil dos militares nos últimos anos?

Bolivar – A mudança na gestão, que ocorre no mundo todo, também chegou ao Exército. É um processo e não tem data para acabar, pois sempre aparecem novas necessidades e tecnologias.


Confira o que terá no Centro de Adestramento e Avaliação-Sul (CAA-Sul), que começará a ser construído em 2015 em Santa Maria Fernanda Ramos/especial

O CAA-SUL - Confira o que será o Centro de Adestramento e Avaliação-Sul

- O CAA-Sul trabalhará com tipos diferentes de simulação, por vezes de forma integrada.

- O primeiro é a virtual, que simula ambientes de conflito em cabines e telas, como em um videogame hiper-realista.

- O segundo é a construtiva, onde há jogos de inteligência virtual em que se testam ações e reações por meio tomadas de decisões em combate.

- O terceiro é a evolução do CAA-Sul em relações às estruturas de hoje. Na simulação viva, componentes virtuais são acoplados ao maquinário real. Assim é possível fazer um disparo com um canhão de verdade, por exemplo, mas sem munição, calculando os efeitos do tiro por meios eletrônicos.


AS ESTRUTURAS - O que deve ter no Centro de Adestramento e Avaliação-Sul


SIMULADOR CONSTRUTIVO, O COMBATER

- O software Combater é um jogo realista de tomada de decisões. A título de comparação, é como um War adaptado ao mundo real. Ele simula conflitos entre forças antagônicas que podem ser um batalhão contra um grupo de guerrilheiros. O software ensina a agir, ainda, em situações como operação humanitária ou controle de manifestação.

- Entre a aquisição de uma empresa francesa e adaptação a realidades brasileiras, o custo é de R$ 13 milhões. A inteligência virtual é o principal diferencial.

- O Combater também permite manipular o tempo, de modo que é possível realizar treinamentos que considerem a oscilação de fatores humanos como a moral de uma tropa e a fadiga. Desta forma, se um ataque for ordenado pelo “jogador” em um dia, ele tem um efeito. Já se for ordenado em um cenário simulado para uma semana depois, quando o cansaço do adversário está nos cálculos do computador, o efeito será outro.

SIMULADOR DE APOIO DE FOGO, O SAFO

- A primeira grande estrutura física do Centro de Adestramento já está em construção desde 2012 no Cism e deve ser inaugurada este ano. É o Simulador de Apoio de Fogo, o Safo. O prédio de 4,5 mil metros quadrados servirá para simular exercícios de tiros usando artefatos reais.

- Os cenários em escala real se baseiam em imagens geográficas acrescidas de componentes em resolução fotográfica como edificações, estradas, rios, pontes. O ambiente permite simular operações próprias e inimigas em um campo de batalha com realismo.

- O custo das estruturas, desenvolvidas em uma parceria entre o Exército e uma empresa espanhola, supera os R$ 20 milhões. Além do simulador de Santa Maria, outro Safo está sendo construído na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ).

SIMULADORES DO BLINDADO GUARANI

- Ainda na etapa de projeto, o CAA-Sul planeja um simulador em tamanho real do novo blindado Guarani. Como no Safo, o equipamento trabalhará com simulação de respostas virtuais a movimentos reais, como em um fliperama.

- Por ora, os treinamentos para os operadores do Guarani se dão por meio do CBT, software de treinamento baseado em computadores, desenvolvido a um custo de R$ 1,5 milhão pelo Projeto Simuladores - uma parceria do Exército com empresas de programação. Outros R$ 3 milhões foram gastos na compra e aplicação no treinamento de futuros motoristas, operadores e mecânicos.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

CORAÇÃO DO COMANDO


ZERO HORA 28 de fevereiro de 2014 | N° 17718

O novo cenário militar do RS

Reestruturação do Exército deverá levar de Porto Alegre para Santa Maria a base dos quartéis que estão sediados no Estado



A partir de uma reestruturação dentro do Exército, Santa Maria vai virar o coração do cenário militar no Rio Grande do Sul. Neste ano, o comando dos quartéis sediados no Estado será transferido para o município onde fica a 3ª Divisão de Exército (DE). Já o Comando Militar do Sul, responsável pelas tropas dos três Estados do Sul, mantém sede na Capital – uma espécie de cérebro do aparato castrense.

Também reforça o protagonismo da cidade o Centro de Adestramento e Avaliação-Sul (CAA-Sul), para simulação de combates em blindados, com início das obras previsto para 2015. A 6ª DE, em Porto Alegre, está sendo desativada com o objetivo de racionalizar o emprego de pessoal, material e recursos. Os militares serão realocados em outras unidades. A 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, de Bagé, e a 8ª Brigada de Infantaria Motorizada, de Pelotas, que respondiam à 6ª DE, vão passar a se reportar à 3ª DE. Também conhecida como Divisão Encouraçada, por causa da forte presença de blindados, a 3ª DE conta com duas brigadas de Cavalaria Mecanizada (Santiago e Uruguaiana), a 6ª Brigada de Infantaria Blindada (Santa Maria) e a Artilharia Divisionária (Cruz Alta). São mais de 15 mil militares. Com a troca de comando, passará a congregar mais de 20 mil.

São inúmeros os motivos que impulsionaram a troca. Santa Maria está no centro do Estado, fica mais próxima de diversos quartéis do que Porto Alegre (Uruguaiana, Santana do Livramento e Bagé, por exemplo), abriga a base aérea, tem universidades que fomentam a pesquisa e fornecem tecnologia, dispõe de duas organizações para a manutenção de blindados (Parque Regional de Manutenção 3 e 4º Batalhão Logístico) e apresenta o segundo maior efetivo militar do país. Além disso, a cidade receberá o primeiro de quatro centros brasileiros de treinamento com simuladores previstos no Sistema de Adestramento e Avaliação do Exército.

Previsto para operar em 2018, o CAA-Sul deve começar a ser erguido no ano que vem – o prédio do Simulador de Apoio de Fogo já está em construção. Em uma década, poderá receber 1,5 mil militares por dia – o foco do centro será a capacitação de tropas embarcadas (em blindados). Com investimento de R$ 500 milhões em mais de 30 prédios, se tornará o maior quartel na região.

– É uma grande oportunidade de negócios para a cidade. Empresas estrangeiras que detêm a tecnologia querem se instalar aqui. Várias já estão nos contatando. É também uma oportunidade de absorver mão de obra especializada – diz o coronel Giovany Carrião, gerente do projeto.


AS TRANSFORMAÇÕES

O que muda na geografia militar no Rio Grande do Sul

A TRANSFERÊNCIA DE COMANDO

- A 3ª Divisão de Exército (Santa Maria), a 5ª Divisão de Exército (Curitiba, no Paraná) e a 6ª Divisão de Exército (Porto Alegre) integram o Comando Militar do Sul. Ao longo de 2014, o comando dos militares dos quartéis sediados no Rio Grande do Sul será transferido para Santa Maria.

- Com a desativação do comando da 6ª DE, a 3ª DE será a única no RS. Ela assume a orientação das atividades da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (Bagé) e a 8ª Brigada de Infantaria Motorizada (Pelotas), que respondiam à Capital.

- A 3ª DE conta com duas brigadas de Cavalaria Mecanizada (Santiago e Uruguaiana), a 6ª Brigada de Infantaria Blindada (Santa Maria) e a Artilharia Divisionária (Cruz Alta).

- São mais de 15 mil militares. Com a transferência de comando, serão mais de 20 mil homens.

O CENTRO DE ADESTRAMENTO E AVALIAÇÃO-SUL (CAA-SUL)

- Em 2015, começará a ser construído, em Santa Maria, o Centro de Adestramento e Avaliação-Sul (CAA-Sul), o primeiro de quatro centros de treinamento simulado que o país deve ter.

- Poucos países já têm centros de treinamento desse tipo, e Santa Maria terá o primeiro da América Latina. . A primeira fase deve começar a funcionar em 2018. Em 2025, quando estiver concluído, o CAA-Sul poderá recepcionar até 1,5 mil militares em treinamento.

- O novo quartel da cidade será o maior do Exército na região, com efetivo de 800 a mil militares.

- O Ministério da Defesa aplicará aproximadamente R$ 500 milhões na construção de mais de 30 prédios e na compra de equipamentos de tecnologia de ponta de diferentes países.

MAIS PRÓXIMO DA FRONTEIRA


ZERO HORA 28 de fevereiro de 2014 | N° 17718


SUA SEGURANÇA | HUMBERTO TREZZI




Muitos gaúchos podem estranhar a decisão do Exército em mover seu núcleo operacional para Santa Maria. O costume, aqui e na maioria dos países, é a concentração de tropas nas capitais. Mas, do ponto de vista geopolítico, há muitas razões para que a região central do Estado passe a ter mais importância entre os fardados. A primeira e mais decisiva é que é lá que as coisas preponderam no Sul, em se tratando da caserna.

Santa Maria já reúne a maior concentração de militares no sul do Brasil, se incluirmos aí a importante base aérea daquela cidade. Em termos de Exército, é lá que fica o Centro de Instrução de Blindados, onde pilotos de carros de combate e transporte de tropas aprendem seu ofício – e um parque regional de manutenção, onde são consertados veículos desse tipo oriundos de todo o país. A cidade vai sediar também uma unidade da Krauss-Maffei Wegmann (KMW), empresa alemã de defesa. Ela realizará a manutenção dos 220 tanques Leopard 1A5 comprados pelas Forças Armadas e, no futuro, fabricará blindados. A indústria começou a ser construída há 14 dias e deve ficar pronta em seis meses, tocada por cem operários. Deve empregar 50 pessoas. Ontem, o município recebeu a visita de executivos da fábrica de jipes e utilitários de uso civil e militar Honker, da Polônia, interessada em se instalar.

Não por acaso fica em Rosário do Sul, a cem quilômetros de Santa Maria, o maior esquadrão, no Brasil, dos poderosos carros de combate Leopard 1A1 (capazes de disparar a 65 km/h, à noite, com precisão contra alvos a quatro quilômetros de distância). Até por isso os vizinhos santa-marienses foram escolhidos para instruir o uso de blindados (que o povo costuma chamar de “tanques de guerra”).

Santa Maria fica mais próximo da Fronteira e essa é, talvez, a principal razão para ganhar força em relação à Capital. O Plano Estratégico de Fronteiras é a atual “Bíblia” a guiar o Exército – e ele prevê reforço em áreas próximas aos países vizinhos, em detrimento das zonas litorâneas. É o velho temor de invasões, seja de tropas regulares ou guerrilhas. Por isso a mudança.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

CAPITAL DA SIMULAÇÃO

ZERO HORA 26 de fevereiro de 2014 | N° 17716

JULIANA GELATTI

Santa Maria terá centro de treinamento militar

Exército irá investir R$ 500 milhões em unidade de alta tecnologia na cidade



Santa Maria deve se tornar um centro de referência mundial em treinamento simulado. Em 2015, começará a ser construído, próximo ao Centro de Instrução de Santa Maria (Cism), o Centro de Adestramento e Avaliação-Sul (CAA-Sul), o primeiro de quatro que o país deve ter, para treinar militares usando simuladores de alta tecnologia.

Poucos países já têm centros de treinamento desse tipo, e Santa Maria terá o primeiro da América Latina. A primeira fase deve começar a funcionar em 2018 e, em 2025, o centro deve ficar pronto e podendo receber até 1,5 mil militares.

O novo quartel será o maior do Exército na região, só menor do que a Base Aérea de Santa Maria (Basm). O investimento de R$ 500 milhões será na construção de mais de 30 prédios e na compra de equipamentos de tecnologia de ponta de diferentes países:

– Não estamos copiando o modo de treinamento de nenhum país. Visitamos vários lugares, mas a nossa ideia é pegar o que cada exército tem de mais forte e implantar aqui – explica o coronel Giovany Carrião, responsável pelo projeto do CAA-Sul.

Carrião acrescenta que, para as fases finais do projeto, espera-se que já exista tecnologia nacional, também como fruto do convênio firmado no ano passado entre o Exército e a UFSM para o desenvolvimento de simuladores. As leis que regem as compras do Ministério da Defesa preveem que empresas fornecedoras devem se instalar no país, contratar brasileiros e fabricar pelo menos parte dos equipamentos aqui.

A construção do novo quartel será anunciada nesta manhã. Conforme o coronel Carrião, os R$ 500 milhões devem ser pagos em, no máximo, dois anos.


COMO SERÁ - Confira algumas características do Centro de Adestramento e Avaliação-Sul (CAA-Sul), que começará a ser construído em 2015 e deve operar de forma completa em 2025

- O objetivo é maximizar a eficiência e a eficácia dos treinamentos dos militares economizando recursos em combustíveis e munição;

- Será o maior quartel de Santa Maria, com uma unidade também em Rosário do Sul, sendo uma referência em tecnologia de simulação para toda a América do Sul;

- Alguns países da Europa têm centros como o que será feito na cidade da Região Central, mas eles seriam menos completos. O que mais se assemelha ao projeto brasileiro é o que existe nos Estados Unidos;

- O centro faz parte do projeto do Sistema de Adestramento e Avaliação, com quatro centros em todo o país. O primeiro deles será o de Santa Maria, voltado para a Região Sul;

- Deve haver outros centros com a mesma função na Amazônia, no Centro Oeste e no Sudeste, em locais ainda a serem definidos;

- Em Santa Maria, serão investidos R$ 500 milhões em construções e em equipamentos. Serão construídos mais de 30 prédios em Santa Maria e em Rosário do Sul;

- Haverá 800 militares no quartel. A capacidade é para receber mais 1,5 mil militares para treinamento, simultaneamente. Será possível fazer treinamentos com simulação de três tipos: virtual, viva e construtivaL

- A construção está dividida em três fases. A primeira deve ficar pronta e começar a funcionar já em 2018. Em 2025 o centro estará finalizado. Empresas estrangeiras devem ser contratadas para a obra e para aquisição de equipamentos, já que o país não tem essa tecnologia ainda

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

MISSÃO NO HAITI É UMA DAS PIORES DA ONU


ZERO HORA 20 de fevereiro de 2014 | N° 17710


LÉO GERCHMANN


ENTREVISTA



Representante do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Haiti entre 2009 e 2011, o doutor em relações internacionais Ricardo Seitenfus, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), é um crítico da atuação das Nações Unidas no país centro-americano. De férias em Santo Domingo (país vizinho ao Haiti), Seitenfus lançará em breve o livro Haiti – Dilemas e Fracassos Internacionais.

Por telefone, Seitenfus elogiou ontem o artigo em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs a retirada da missão humanitária até 2016. Na sua opinião, trata-se de “uma das piores missões de paz da história da ONU”. Leia trechos da entrevista.

Zero Hora – Qual é a sua opinião sobre o artigo publicado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no jornal The New York Times, em que ele defendeu o fim da missão da ONU no Haiti em 2016?

Ricardo Seitenfus – Gostei muito do que Lula disse, principalmente porque vem dele. O artigo do ex-presidente é muito positivo, pois contém três elementos fundamentais. Em primeiro lugar, acena com a necessidade de ser restaurada a soberania haitiana e, por conseguinte, de se colocar um termo à presença das forças militares estrangeiras da Minustah (missão da ONU). Também demonstra respeito à autodeterminação do povo e do Estado haitiano com o processo de apropriação de seu país. Em terceiro lugar, apela para que haja continuidade e incremento da ajuda internacional, especialmente a dos países avançados. Embora sua interpretação de fatos políticos recentes se revele muito mais pelo não dito do que pelo declarado, a tomada de posição do ex-presidente constitui um divisor de águas, pois foi dele a iniciativa de lançar o Brasil nessa complexa empreitada em 2004.

ZH – O não dito é um recado de que a missão não foi boa?

Seitenfus – Claro que sim. Por que mandaram tropas? Até quando? Por que não mandaram a outros países, como o Paraguai, a Venezuela?

ZH – Na sua opinião, quando a ONU deveria deixar o Haiti?

Seitenfus – Em 2009, discutíamos um modelo de saída de crise. O terremoto de 12 de janeiro de 2010 jogou o debate para as calendas gregas. Agora se retorna a ele, felizmente. Mais do que uma data-limite o que importa são as condições da saída, ou seja, como sair. As exigências securitárias já foram cumpridas. Não esqueçamos que foram enviados soldados para onde não havia e não há guerra. Portanto, o desafio haitiano é socioeconômico e institucional. Não há como estabilizar um país com 80% de desemprego e com um Estado que é muito mais uma ficção do que uma realidade. É importante a ONU deixar o Haiti. O país precisa ter tempo para construir a democracia deles. Querem democracia perfeita em um país onde há 50% de analfabetismo?

ZH – Como o senhor avalia a Minustah?

Seitenfus – A missão no Haiti é uma das piores missões de paz da história da ONU. Se saírem em 2016, deixarão um país pior do que encontraram em 2004. Saí do Haiti porque me opunha à intervenção na política interna do país, me desentendi por causa disso. Até o cólera foi levado para lá. Essa intervenção foi triste e pesarosa. E nada melhorou. Em termos de autodeterminação, o que o Haiti conseguiu foi manter suas relações com Cuba e Venezuela. Recebe petróleo subsidiado da Venezuela, tem uma dívida de US$ 1,3 bilhão, e muitos chavistas querem rever esse acordo. É um problemão que eles têm.

ZH – O Brasil deveria se antecipar e sair antes?

Seitenfus – Não. Deve, antes de tudo, liderar o debate com seus parceiros por uma rápida solução. Caso não ocorra, o Brasil deveria renunciar imediatamente ao comando militar da Minustah e, depois, retirar seu contingente.


sábado, 8 de fevereiro de 2014

EXÉRCITO VAI DESATIVAR DESTACAMENTOS NA FRONTEIRA




TV CENTRO OESTE, 31 de janeiro de 2014 – 08h24


O destacamento do Exército na localidade de Corixa, em Cáceres, será desativado pelo 2º Batalhão de Fronteira (Befron), considerado um dos mais importantes no tocante a proteção da região Oeste. A desativação já tem até mesmo data marcada: 28 de março. Hoje, esses postos militares atuam na segurança da fronteira Brasil/Bolívia com efetivo de 15 militares em cada posto. Além de Corixa, serão também desativos os postos de Palmarito, que fica a quatro quilômetros da Bolívia; e ainda Santa Rita e São Simão.

No Estado serão mantidos apenas três destacamentos: os de Casalvasco, Fortuna e Guaporé. Eles ficam nos municípios de Vila Bela da Santíssima Trindade, Porto Esperidião e Comodoro. Esses postos serão reestruturados fisicamente e passarão a contar com 60 militares. Eles serão transformados em Pelotões Especiais de Fronteira.

As leis complementares 97, 117 1 136, de 1999 e de 2004, regulam o emprego das Forças Armadas. A 117, especificamente, autoriza que o Exército exerça o papel de polícia em áreas de fronteira.

A notícia do fechamento do destacamento de Corixa, em Cáceres, preocupa as autoridades locais e foi um dos temas da reunião realizada na no gabinete do prefeito Francis Cruz. A reunião contou com a presença de representantes da PRF, Câmara de Vereadores, Rotary Clube, seguradoras,Federação da Agricultura(Famato), Sindicato Rural de Cáceres e de São José dos Quatro Marcos, Exército, Polícia Federal e Cruz Vermelha.

O prefeito Francis Cruz afirmou que vai buscar, junto aos ministérios competentes, uma forma do destacamento da Corixa também se transformar em Pelotão Especial. “Tentaremos o que for possível” – disse.

Hoje, a extensão da BR-070 que dá acesso à Bolívia por Cáceres, é a única rodovia asfaltada e uma das mais utilizadas. O trecho está sem a presença de nenhuma força policial, a não ser a do Exército na Corixa. O trecho é considerado o “corredor” para os crimes transfronteiriços, especialmente a passagem de veículos roubados/furtados, o descaminho e a entrada da cocaína. Também faz parte da rota de atuação do PCC-Primeiro Comando da Capital, facção que teve origem em São Paulo e hoje atua dentro de presídios e cadeias em todo o país.

Ainda na BR-070 foi retirado o grupamento do Grupo Especial de Fronteira. Hoje, o Gefron e a Polícia Militar se revezam em outros três pontos: os postos do Indea na Corixa, na Corixinha e Avião Caído. Ainda assim, com a função específica de dar segurança aos agentes do Indea, nas ações relativas a defesa fitossanitária. Nos três postos, os policiais que atuam recebem diárias pagas pelo Indea, mas também exercem o papel de polícia e realizam várias apreensões de drogas e recuperação de carros roubados.

A região que fica na extensão dos 150 km de fronteira seca abrange 22 municípios e milhares de propriedades rurais. Só em São José dos Quatro Marcos, são mais de 3 mil, e mais de 4 mil em Cáceres, segundo dados dos respectivos sindicatos rurais. E está praticamente desguarnecida de segurança. Órgãos como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal estão com falta de efetivo suficiente para atender a demanda. Nas rodovias federais da região, a 070 e a 174, o tráfego diário é de 3 mil veículos.

Do final de 2013 para cá, começou de novo uma ação criminosa que foi intensa anos atrás nas propriedade rurais da região: o assalto para roubar máquinas agrícolas, especialmente tratores. As quadrilhas invadem as fazendas já perguntando:”onde estão os traçados”. A porta de saída dos tratores é por Pontes e Lacerda, pela MT 265, através das localidades conhecidas como Baia Velha e Avião Caído. A situação é tão grave que as seguradoras tem restrições e muitas já não fazem seguro de tratores e máquinas agrícolas. As que fazem, aumentaram -e muito- o valor do seguro.

Hoje o Gefron, uma polícia criada para atuar especificamente na fronteira, tem postos fixos apenas em Vila Cardoso (Porto Esperidião) e Matão (Pontes e Lacerda).